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Do filme no terceiro encontro a um império de doces de 60 milhões de dólares: A história da Sugarfina

· 11 min para ler
Mike Thrift
Mike Thrift
Marketing Manager

O que acontece quando um encontro de cinema desperta uma ideia de negócio que vale milhões? Para Rosie O'Neill e Josh Resnick, assistir a A Fantástica Fábrica de Chocolate no terceiro encontro deles levou a uma pergunta simples que mudaria suas vidas: Por que não existe uma loja de doces para adultos?

Essa pergunta, feita em 2010, tornou-se a Sugarfina — uma boutique de doces de luxo que cresceria de um investimento conjunto de US60.000paraumaempresaquecaptouUS 60.000 para uma empresa que captou US 60 milhões e se expandiu para dezenas de locais em todo o mundo. A jornada oferece lições poderosas para empreendedores sobre sacrifício, escalabilidade e a importância de saber quando pedir ajuda.

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Um Par Perfeito no Match.com

A história de O'Neill e Resnick começa como muitos romances modernos — online. Eles se conheceram no Match.com em 2010 e se conectaram imediatamente. Mas, ao contrário da maioria dos casais, seus primeiros encontros não foram apenas para se conhecerem. Eles estavam plantando as sementes de um império comercial.

Durante aquela fatídica exibição do clássico filme de Gene Wilder no terceiro encontro, eles se viram cativados não apenas pelo filme, mas por uma lacuna no mercado. Lojas de doces existiam, claro — mas eram projetadas para crianças. Onde os adultos poderiam ir para encontrar confeitos artesanais de luxo apresentados com sofisticação?

Tanto O'Neill quanto Resnick trouxeram currículos impressionantes. O'Neill passou sete anos na Mattel como Diretora de Marketing da Barbie, gerenciando uma equipe de dez criativos talentosos. Resnick fundou a Pandemic Studios, uma empresa de desenvolvimento de videogames que ele transformou em uma inovadora global antes de vendê-la para a Electronic Arts em 2008 por uma quantia que, segundo rumores, estaria na casa dos nove dígitos.

Eles tinham as habilidades. Tinham os recursos. E agora, tinham a ideia.

O Salto de Fé de US$ 30.000

Em maio de 2012, O'Neill e Resnick decidiram transformar suas reflexões de noites de encontro em realidade. Cada um investiu US30.000desuaseconomiaspessoaisumtotaldeUS 30.000 de suas economias pessoais — um total de US 60.000 para lançar a Sugarfina.

Para O'Neill, isso significou uma reformulação completa do estilo de vida. Ela deixou seu confortável cargo corporativo na Mattel e fez mudanças imediatas e drásticas:

  • Mudou de uma casa para um estúdio
  • Trocou seu carro de luxo por um modelo mais econômico
  • Limitou-se a um orçamento pessoal de US$ 100 por semana
  • Eliminou virtualmente toda a renda disponível

A loja de e-commerce foi lançada em julho de 2012, apenas dois meses após o início do desenvolvimento. Mas talvez o sacrifício mais significativo tenha sido o próprio tempo. O'Neill passou de um cronograma padrão de segunda a sexta para trabalhar aproximadamente 100 horas por semana.

"Senti que precisava investir cada momento livre no negócio", explicou O'Neill, descrevendo como ela e Resnick cuidavam de tudo sozinhos nos primeiros dias.

Fazendo Tudo Sozinhos

Os primeiros meses da Sugarfina testaram a versatilidade de O'Neill de maneiras que sua carreira corporativa nunca havia testado. Sem uma equipe para confiar, ela e Resnick tornaram-se uma operação de duas pessoas lidando com todos os aspectos do negócio:

  • Embalar doces em cubos e caixas para pedidos de e-commerce
  • Escrever bilhetes pessoais à mão para os clientes
  • Atender chamadas de serviço ao cliente diretamente em seu celular
  • Gerenciar o processamento de pedidos (fulfillment) e a logística
  • Planejamento estratégico e desenvolvimento de negócios

O'Neill também aprendeu novas habilidades por necessidade. Sem orçamento para designers, ela aprendeu Adobe Illustrator e Photoshop para criar o site e as embalagens ela mesma. Essa abordagem prática significava que ela entendia intimamente cada aspecto do negócio — um conhecimento que se provaria inestimável à medida que a Sugarfina escalasse.

Em outubro de 2012, o volume cresceu o suficiente para que contratassem seus primeiros membros da equipe. Mas aqueles meses iniciais fazendo tudo sozinhos estabeleceram uma cultura de trabalho duro e atenção aos detalhes que definiria a marca.

A Divisão de Trabalho

À medida que a Sugarfina crescia, O'Neill e Resnick naturalmente dividiram as responsabilidades de acordo com seus pontos fortes. O'Neill, com sua experiência na Mattel, cuidava do lado criativo: marketing, design das lojas, design de embalagens e desenvolvimento da marca. Sua atenção meticulosa aos detalhes moldou a estética distinta da Sugarfina — o esquema de cores azul e branco característico, as elegantes Candy Bento Boxes, a apresentação premium que fazia os doces parecerem presentes de luxo.

Resnick, baseando-se em sua experiência escalando a Pandemic Studios, gerenciava operações, instalações, finanças, RH e assuntos jurídicos. Essa divisão clara permitiu que cada fundador focasse em suas áreas de especialização, confiando no parceiro para lidar com o restante.

Do Online para as Lojas Físicas

A primeira boutique física da Sugarfina abriu em Beverly Hills em novembro de 2013, pouco mais de um ano após o lançamento do e-commerce. A expansão para o varejo provou que os doces de luxo tinham apelo popular. Os clientes não estavam apenas comprando doces — eles estavam comprando uma experiência.

O conceito ressoou particularmente bem com presentes corporativos, lembranças de casamento e presentes de fim de ano. As coleções curadas da Sugarfina, com ursinhos de goma de champanhe, gomas com infusão de rosé e bombons de single malt scotch, ofereciam algo que nenhuma loja de doces tradicional conseguia: sofisticação adulta em um confeito.

Nos anos seguintes, a Sugarfina expandiu-se agressivamente. Parcerias com a Nordstrom trouxeram pontos de venda no estilo "loja dentro da loja" para lojas de departamentos em todo o país. Boutiques independentes foram abertas em locais de varejo premium. Até 2018, a empresa havia captado US$ 60 milhões de investidores — incluindo o Goldman Sachs e até Bono, do U2.

Os Desafios da Expansão

Mas o crescimento rápido trouxe novos desafios. Como O'Neill refletiu, a natureza de seu trabalho se transformou completamente à medida que a Sugarfina expandia. No início, o desafio era fazer tudo sozinha. Mais tarde, o desafio tornou-se: "você não pode resolver tudo sozinha. Você precisa ser uma boa líder e uma grande atraidora de talentos".

Essa transição de executora para líder é uma das mudanças mais difíceis que um empreendedor enfrenta. As habilidades que tornam alguém excelente no lançamento de uma empresa — disposição para realizar todas as tarefas, atenção a cada detalhe, investimento pessoal em cada decisão — podem se tornar passivos ao gerenciar uma organização maior.

O'Neill aprendeu a delegar, a confiar em sua equipe e a focar na liderança estratégica em vez da execução tática. Essas lições vieram através da experiência, às vezes de forma dolorosa.

A Recuperação Judicial e o Renascimento

A história da Sugarfina deu uma reviravolta dramática em setembro de 2019, quando a empresa entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11). Os fatores eram complexos: um cenário de varejo desafiador, particularmente em localizações de shoppings onde muitas boutiques estavam situadas; dificuldades no controle de margens; e incertezas em parcerias internacionais.

Apesar de as receitas terem dobrado ano após ano entre 2012 e 2017, a empresa relatou prejuízos crescentes — US4,8milho~esem2016,US 4,8 milhões em 2016, US 7,3 milhões em 2017 e US$ 17,9 milhões em 2018. Os custos da expansão agressiva superaram a lucratividade.

Em novembro de 2019, o Bristol Luxury Group adquiriu os ativos da Sugarfina por US$ 15,1 milhões. A nova gestão enfrentou desafios imediatos, incluindo a falta de estoque que afetou as vendas de fim de ano e menos pontos de venda físicos após o encerramento de contratos de aluguel pouco lucrativos durante o processo de falência.

Mas a marca sobreviveu. Sob nova liderança, a Sugarfina continua operando, vendendo seus doces de luxo exclusivos e mantendo a visão estética que O'Neill e Resnick criaram.

Lições para Empreendedores

A história da Sugarfina — tanto seus sucessos quanto suas dificuldades — oferece insights valiosos para qualquer pessoa que esteja construindo um negócio:

1. Esteja Disposto a Sacrificar o Conforto

O'Neill não apenas reduziu suas despesas; ela reestruturou fundamentalmente sua vida em função do negócio. O estúdio, o carro popular, a mesada semanal de US$ 100 — essas não eram apenas medidas de corte de custos. Eram sinais de comprometimento, tanto consigo mesma quanto com a empresa.

Por quatro anos, nenhum dos fundadores recebeu salário. Essa margem de manobra estendida permitiu que reinvestissem cada dólar no crescimento.

2. Aprenda Novas Habilidades Quando Necessário

Em vez de esperar até poder contratar designers, O'Neill aprendeu sozinha a usar Illustrator e Photoshop. Essa autossuficiência acelerou o lançamento da Sugarfina e deu a O'Neill uma compreensão profunda da identidade visual da marca.

Empreendedores que conseguem adquirir novas habilidades rapidamente — mesmo que de forma imperfeita — têm uma vantagem significativa sobre aqueles que esperam por recursos perfeitos.

3. Saiba Quando Fazer a Transição de Executor para Líder

As habilidades necessárias para lançar uma empresa diferem das necessárias para escalá-la. O'Neill reconheceu que precisava se tornar "uma boa líder e uma grande atraidora de talentos" em vez de tentar fazer tudo sozinha.

Essa transição é desconfortável. Requer confiar a outros o trabalho que você sempre controlou. Mas é essencial para o crescimento.

4. O Crescimento Tem Custos

A expansão agressiva da Sugarfina contribuiu para suas dificuldades financeiras. O escalonamento rápido requer capital, e esse capital precisa vir de algum lugar — seja dos lucros ou de investidores. Quando o crescimento supera a lucratividade, mesmo marcas de sucesso podem se encontrar em dificuldades.

Isso não significa que você não deva buscar o crescimento. Significa que você deve entender seus custos reais e planejar adequadamente.

5. Uma Marca Pode Sobreviver à Sua Estrutura Original

Mesmo após a recuperação judicial, a Sugarfina continua. A marca, a estética, as linhas de produtos — esses ativos tinham valor independente da estrutura financeira da empresa original. Para empreendedores, isso é um lembrete de que construir uma marca forte cria valor duradouro, mesmo que a jornada do negócio tome rumos inesperados.

A Perspectiva de Longo Prazo

Apesar dos desafios financeiros da Sugarfina, O'Neill emergiu com lições e hábitos valiosos. Ela falou sobre manter as práticas de estilo de vida enxuto (lean) que desenvolveu durante os anos de startup, valorizando o tempo com entes queridos e o bem-estar pessoal em detrimento do consumo material.

A jornada empreendedora mudou sua relação com o dinheiro e o sucesso. A experiência de construir algo do nada — de embalar doces em caixas às 2 da manhã, de atender chamadas de clientes em seu celular pessoal, de ver sua visão se tornar realidade em uma vitrine em Beverly Hills — criou recompensas que transcenderam o resultado financeiro.

Construindo Algo Doce

A Sugarfina provou que existia, de fato, um mercado para doces voltados para adultos — para confeitos premium apresentados com elegância e sofisticação. O conceito que O'Neill e Resnick idealizaram em seu terceiro encontro ressoou com milhões de clientes que queriam satisfazer seu desejo por doces sem se sentirem infantis.

A trajetória do negócio não foi linear. Houve anos de sacrifício, momentos de crise e, por fim, uma recuperação judicial que transferiu a propriedade para novas mãos. Mas a marca perdura, e as lições aprendidas em sua construção permanecem valiosas para qualquer pessoa que esteja considerando seu próprio salto empreendedor.

Às vezes, as melhores ideias de negócios surgem das perguntas mais simples. Por que isso não existe? Quem iria querer isso? Poderia ser eu a pessoa a criá-lo?

O'Neill e Resnick fizeram essas perguntas enquanto assistiam a um filme em seu terceiro encontro. A resposta deles construiu um império de doces.

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