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Shantell Martin: Como uma Artista Visual Construiu uma Marca Global Sem Representação de Galeria

· 9 min para ler
Mike Thrift
Mike Thrift
Marketing Manager

Quando as galerias se recusaram a representá-la, Shantell Martin não esperou por permissão. Ela desenhou em paredes de restaurantes em troca de refeições. Ela trocou performances visuais ao vivo por entrada em clubes em Tóquio. Ela tratou a criatividade como moeda muito antes de seu trabalho adornar as paredes de instituições como o New York City Ballet, o MIT Media Lab e o Rockefeller Center.

Hoje, os desenhos de linhas pretas e brancas característicos de Martin foram encomendados por marcas como Nike, Tiffany & Co., Kendrick Lamar, Max Mara e Google. Em 2025, ela foi condecorada com um MBE pela Coroa Britânica por seus serviços às artes e à caridade. Mas o caminho da habitação social no sudeste de Londres ao reconhecimento global não foi pavimentado com golpes de sorte — foi desenhado, uma linha confiante de cada vez.

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Crescendo como uma Outsider

Martin cresceu no conjunto habitacional de Thamesmead, um complexo de habitação social no sudeste de Londres. "Crescer naquele ambiente, sendo parda e tendo um afro, não é fácil", disse ela. Mas, em vez de ver seu status de outsider como uma desvantagem, Martin passou a vê-lo como fundamental.

Ser diferente em um bairro predominantemente branco e de classe trabalhadora ensinou-lhe algo crucial: ela nunca precisou se ajustar. Ela nunca precisou de validação externa para saber quem era.

Essa independência precoce provaria ser essencial quando, anos mais tarde, o establishment da arte se recusou a abrir suas portas.

De Londres a Tóquio: Encontrando Sua Voz

Depois de se formar com honras na Central Saint Martins, Martin tirou o que pensou que seria um ano sabático ensinando inglês no Japão. Esse ano tornou-se cinco.

Em Tóquio, ela se reinventou como visual jockey (VJ), criando visuais digitais e analógicos desenhados ao vivo para DJs, dançarinos e músicos. Desenhar em tempo real para multidões — sem tempo para duvidar ou editar — forçou-a a confiar completamente em seus instintos.

"Não havia tempo para ser outra pessoa senão eu mesma", explicou Martin.

O formato de performance ao vivo eliminou o fingimento. Exigiu autenticidade. E ensinou-lhe que o processo criativo em si poderia ser tão atraente quanto o produto acabado — uma filosofia que mais tarde diferenciaria seu trabalho dos artistas de galeria tradicionais.

Mas o Japão também trouxe dificuldades. Martin enfrentou depressão e isolamento, acabando por participar de um retiro de meditação silenciosa Vipassana de 10 dias. Ela credita essa experiência como um ponto de virada, ajudando-a a entender que o desenho não era apenas sua profissão — era sua meditação, sua maneira de processar o mundo.

O Confronto com a Realidade em Nova York

Armada com cinco anos de sucesso na cena de clubes de Tóquio, Martin chegou à cidade de Nova York confiante de que poderia transferir esse impulso. A realidade bateu forte.

"Toda essa carreira que eu tinha construído para mim mesma não existia aqui", recorda. "Tive de encontrar uma forma diferente de vencer como artista."

As galerias não estavam interessadas. Durante dezoito meses, Martin viveu de economias, dormindo em sofás de amigos. Ela não tinha dinheiro para as refeições, quanto mais para um espaço de estúdio.

Mas, em vez de desistir, ela reformulou sua situação. Isso não era algo que estava acontecendo com ela — era uma escolha que ela estava fazendo. Ela estava escolhendo seguir a arte em seus próprios termos, mesmo que esses termos significassem dificuldades extremas.

Essa mudança mental desbloqueou a resolução criativa de problemas. Se os restaurantes não oferecessem as refeições, ela poderia desenhar em suas paredes em troca de comida. Se os clubes não a pagassem, ela poderia trocar suas performances visuais por entrada e exposição. Se as galerias não a representassem, ela representaria a si mesma.

Criando Suas Próprias Portas

A estratégia de Martin era enganosamente simples: "Se não houver portas, saia por uma janela."

Em vez de implorar por representação tradicional em galerias, ela construiu sua carreira através de canais não convencionais:

Locais Alternativos: Em vez de paredes de galerias, ela procurou restaurantes, clubes e espaços públicos onde seu trabalho pudesse ser visto por diferentes públicos.

Colaborações com Marcas: Ela tratou as parcerias corporativas não como uma venda de princípios, mas como "veículos para transmitir a mensagem, para transmitir a arte". Cada colaboração — fosse com a Nike, Puma ou 1800 Tequila — expôs seu trabalho a novos grupos demográficos.

Plataformas Educacionais: Ensinar na NYU e no MIT Media Lab, além de cursos online no Skillshare, estabeleceu-a como uma líder de opinião, proporcionando estabilidade financeira.

Instalações Públicas: Obras de grande escala em locais de alto tráfego como a Times Square (sua instalação de 2024 "The Path: A Meditation of Lines") geraram uma visibilidade que nenhuma galeria poderia igualar.

Performance como Produto: Ao desenhar ao vivo para o público, ela criou experiências em vez de apenas objetos — tornando seu trabalho mais difícil de replicar e mais memorável.

O Negócio de Ser Artista

Martin é refrescantemente sincera sobre a realidade de gerir um negócio de arte. Apesar das colaborações com marcas de luxo e do reconhecimento global, os desafios financeiros persistem.

"É caro ser artista", reconhece ela, citando altos custos operacionais com impostos, seguros e funcionários. Ela gastou aproximadamente US$ 300.000 em litígios defendendo seus direitos de propriedade intelectual — um lembrete de que o sucesso criativo traz complexidade empresarial.

Sua abordagem à precificação reflete uma sabedoria conquistada com esforço:

  • Nunca verbalize preços durante negociações. Use uma tabela de preços, removendo a emoção da transação.
  • Comece de forma conservadora. Você sempre pode aumentar os preços, mas baixá-los prejudica sua marca.
  • Aumente gradualmente. Aumentos anuais de 10-15% constroem valor sem chocar os clientes.
  • A consistência supera a intensidade. "Um pouco de forma consistente pelo resto da vida" supera surtos esporádicos de esforço.

Martin recusa aproximadamente 99% das propostas de parceria. Seus critérios para o 1% que aceita:

  1. Alinhamento moral e ético com seus valores
  2. Desafio criativo que impulsione sua prática
  3. Exposição a novos públicos que ela não conseguiria alcançar de outra forma
  4. Oportunidade de amplificar sua mensagem central

A Filosofia "Quem é Você?"

A pergunta característica de Martin — rabiscada em seus desenhos, incorporada em suas instalações — é enganosamente profunda: "Quem é você?"

A pergunta evoluiu ao longo do tempo para uma afirmação: "Você é você."

Esse fio filosófico percorre toda a sua carreira. Seu sucesso não veio de tentar ser o que as galerias queriam, mas de aceitar que alcançaria seus sonhos independentemente da validação institucional. Ela redefiniu sistematicamente quem era como artista e pessoa para corresponder às oportunidades que criou.

Para empreendedores em qualquer área, a lição é clara: a autenticidade não é apenas um diferencial agradável — é uma vantagem competitiva. Quando você sabe quem é, consegue reconhecer quais oportunidades se alinham aos seus valores e quais não merecem o seu tempo.

Construindo Múltiplas Fontes de Receita

A renda de Martin não depende de uma única fonte. Ela construiu um portfólio diversificado:

  • Colaborações com marcas e encomendas
  • Instalações em museus e espaços públicos
  • Acordos de licenciamento de produtos
  • Vendas de arte
  • Palestras
  • Ensino (universitário e online)
  • Projetos de livros

Esta diversificação proporciona resiliência. Se as parcerias de marca diminuírem, a renda educacional continua. Se uma fonte de receita tiver um desempenho abaixo do esperado, outras compensam.

Para profissionais criativos, este modelo oferece estabilidade sem sacrificar a integridade artística. Cada fluxo reforça os outros: o ensino constrói expertise, as palestras constroem visibilidade, a visibilidade atrai encomendas, as encomendas financiam novos trabalhos.

Sete Lições para Empreendedores Criativos

1. Rejeite os Guardiões Tradicionais

Martin não esperou pela aprovação de galerias. Ela criou suas próprias plataformas, parcerias e caminhos para a visibilidade. Se o sistema tradicional não está funcionando para você, construa uma alternativa.

2. Reformule Restrições como Escolhas

Viver em sofás não foi algo que aconteceu com Martin — foi uma escolha que ela fez enquanto perseguia sua visão. Essa reformulação mental transforma o papel de vítima em agência.

3. Trate a Criatividade como Moeda

Quando você não pode pagar por recursos tradicionais, ofereça o que você tem. Os desenhos de parede de Martin em troca de refeições não eram desespero — eram desenvolvimento de negócios disfarçado de sobrevivência.

4. Escale Gradualmente

Martin progrediu de pequenas exposições para instalações em larga escala, de apresentações locais para o reconhecimento global. Cada passo foi construído sobre o anterior. O sucesso sustentável se acumula.

5. Escolha Colaboradores Cuidadosamente

Dizer sim para tudo dilui sua marca. A taxa de rejeição de 99% de Martin garante que as parcerias que ela aceita estejam alinhadas com seus valores e avancem sua missão.

6. Diversifique sua Renda

Depender de uma única fonte de receita cria vulnerabilidade. Múltiplas fontes de renda proporcionam estabilidade enquanto se reforçam mutuamente.

7. Confie no Processo

A filosofia criativa de Martin — desenhar linhas confiantes sem saber para onde levarão — aplica-se também aos negócios. Foque no trabalho de qualidade à sua frente; a visão macro emergirá.

O Que Vem a Seguir

As aspirações de Martin revelam uma ambição inquieta: uma instalação no MoMA, colaborar com Pharrell Williams, desenhar em um jato jumbo, lançar uma linha de roupas, estabelecer sua própria escola de desenho e performance.

Quando questionada se atingiu o seu auge, sua resposta é enfática: nem de longe.

Essa confiança — conquistada através de anos de luta, validação e esforço contínuo — é talvez a lição mais valiosa de todas. O sucesso não é um destino onde você chega e para. É uma prática que você mantém.

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