Como uma mentora espiritual expandiu sua prática ao colocar a contabilidade em segundo plano
Você já tentou meditar enquanto se preocupava se declarou seus impostos trimestrais corretamente? Se você é terapeuta, coach ou um profissional criativo que gerencia sua própria prática, essa tensão entre o propósito elevado e a burocracia certamente lhe é familiar. Para Kat Niambi, fundadora da Hungry Medium — uma prática de mentoria espiritual — essa tensão ameaçava desacelerar o crescimento do próprio negócio que ela criou para ajudar as pessoas.
Sua história oferece uma lição importante para todo empreendedor do setor de serviços: às vezes, a maneira mais rápida de crescer é parar de fazer tudo sozinho.
De uma carreira corporativa a uma prática espiritual
Kat Niambi passou anos no mundo corporativo antes de se aventurar no empreendedorismo. Ela fundou a Hungry Medium — uma prática de aconselhamento espiritual focada em fornecer mentoria e cura para seus clientes. A transição foi impulsionada por um profundo senso de missão: ela queria dedicar seus dias a um trabalho que genuinamente transformasse a vida das pessoas.
No entanto, construir um negócio de serviços do zero significava ter que assumir todas as funções. Marketing, sessões com clientes, agendamentos, faturamento, contabilidade e preparação de impostos — tudo recaiu sobre seus ombros. Para alguém cujos pontos fortes residem no campo da intuição, empatia e orientação espiritual, o lado financeiro do negócio parecia uma língua estrangeira.
O ponto de ruptura na contabilidade
Kat não está sozinha nessa luta. De acordo com uma pesquisa da QuickBooks, 42% dos proprietários de pequenas empresas admitem que tinham alfabetização financeira limitada ou nula antes de iniciar seu próprio negócio. E 40% afirmam que a contabilidade e os impostos são a pior parte de possuir uma empresa.
Para profissionais nas áreas de bem-estar e serviços espirituais, esse problema costuma ser agravado. Muitos entram nesse campo por vocação, não por amor a planilhas. O resultado é um padrão perigoso: as tarefas financeiras se acumulam, meses se passam sem a devida conciliação de contas e o período fiscal se aproxima como um trem de carga.
Kat tentou o caminho que muitos empreendedores iniciantes seguem. Ela pediu ajuda a familiares que tinham experiência em contabilidade. Não funcionou. O arranjo informal carecia da consistência de que sua prática crescente precisava, e o volume de tarefas pendentes continuava a aumentar.
Uma indústria de 392 bilhões de dólares com uma gestão financeira de que ninguém fala
Espera-se que o mercado global de serviços espirituais atinja aproximadamente 392 bilhões de dólares até 2025, de acordo com dados da Cognitive Market Research. Com uma taxa de crescimento anual composta estável de cerca de 7,5%, este é um dos segmentos que mais cresce na economia do bem-estar (wellness), que por sua vez ultrapassou os 6,3 trilhões de dólares em 2023.
Apesar de toda a atenção às estratégias de crescimento, funis de marketing e aquisição de clientes nesse nicho, surpreendentemente pouca atenção é dada aos fundamentos operacionais que tornam o crescimento sustentável: a gestão financeira.
Mais de 68% dos consumidores em todo o mundo utilizam atualmente pelo menos uma forma de produto ou serviço espiritual. Millennials e a Geração Z estão impulsionando a demanda por experiências espirituais personalizadas — da cura energética ao coaching astrológico. As oportunidades são imensas, mas apenas para aqueles profissionais que conseguem garantir o funcionamento sem problemas dos bastidores do seu negócio.
Por que empreendedores criativos resistem a delegar as finanças
Entre empreendedores criativos e profissionais de serviços, existe uma resistência comum quando se trata de terceirizar a contabilidade. Ela se manifesta de várias formas:
Objeção pelo custo. "Não posso pagar um contador agora". No entanto, estudos mostram que empresas que gastam entre 1% e 3% da receita em contabilidade apresentam melhores indicadores de saúde financeira. Os custos associados à falta de auxílio — como benefícios fiscais perdidos, multas e decisões incorretas de fluxo de caixa — quase sempre excedem o preço dos serviços profissionais.
Objeção pelo controle. "Ninguém entende o meu negócio como eu". Isso pode ser verdade para o trabalho com os clientes, mas raramente se aplica à categorização de despesas e conciliação de extratos bancários. Essas tarefas seguem processos padrão que um contador qualificado lida com muito mais eficiência.
Objeção pelo tempo. "Treinar alguém levaria tempo demais". Proprietários de pequenas empresas gastam em média de 5 a 12 horas por semana na escrituração e relatórios financeiros. Esse é um tempo retirado diretamente do trabalho que gera receita e das atividades voltadas ao cliente.
Especificamente entre os praticantes espirituais, surge frequentemente uma quarta objeção baseada em valores. Como observa um coach de negócios na área, alguns líderes espirituais acreditam que focar no dinheiro contradiz seus princípios. Mas, como Kat descobriu, negligenciar as finanças não a torna uma pessoa mais espiritual. Isso apenas a torna mais propensa ao estresse.
Ponto de Inflexão: Delegar para Focar no Crescimento
O ponto de inflexão para Kat ocorreu quando ela decidiu contratar um serviço de contabilidade profissional. Os resultados foram imediatos e tangíveis:
- Transações de meses que haviam sido perdidas foram registradas. O processo de regularização contábil dissipou a névoa financeira que se acumulava há muito tempo.
- A contabilidade mensal passou a seguir um cronograma regular. Acabou a correria de fim de ano.
- A declaração de impostos tornou-se simples. Com registros organizados, a preparação para a temporada de impostos deixou de ser uma crise de última hora.
No entanto, o verdadeiro benefício não estava apenas nos livros contábeis. Tratava-se de onde Kat poderia agora investir seu tempo e energia mental.
Liberta das preocupações com a gestão financeira, ela lançou um programa de mentoria para novos empreendedores, onde a organização financeira tornou-se uma parte central do currículo. Ela passou de um estado de sobrecarga com suas próprias contas para o ensino de como construir um negócio financeiramente resiliente desde o início.
Como ela mesma disse: "Eu sou uma pensadora. Sou uma estrategista. Eu sigo as regras e me sinto completamente segura."
Cinco Lições da Jornada da Kat
A experiência da Kat oferece lições práticas para qualquer empreendedor na área de serviços, seja você um terapeuta, coach, designer, consultor ou mentor.
1. Sua "zona de genialidade" não é a contabilidade, e tudo bem
O conceito de "zona de genialidade" aplica-se aqui diretamente. Sua atividade mais bem remunerada é aquilo que só você pode fazer: reuniões com clientes, trabalho criativo, pensamento estratégico. Cada hora gasta em tarefas que outra pessoa poderia realizar melhor é uma hora de potencial perdido.
2. Ajuda financeira informal geralmente não é escalável
Pedir a um amigo ou familiar para ajudar com suas contas pode funcionar nos primeiros meses. Mas, à medida que seu negócio cresce, você precisa de alguém que entenda os princípios da contabilidade, obrigações fiscais e relatórios financeiros. Acordos informais tendem a falhar justamente quando os riscos se tornam altos.
3. A regularização contábil é um serviço real, não um sinal de fracasso
Se você está com meses de atraso na sua contabilidade, você não está sozinho. Muitos empreendedores deixam as finanças em segundo plano, especialmente nos primeiros anos. A contabilidade retroativa (catch-up bookkeeping) existe especificamente para essas situações. Colocar os registros em ordem é um dos passos mais eficazes que você pode dar pelo seu negócio.
4. A clareza financeira abre novas fontes de receita
Kat não teria lançado seu programa de mentoria sem uma visão clara das finanças de seu negócio. Quando você entende seus números, pode definir preços com confiança para novas ofertas, investir em marketing com um orçamento verificado e tomar decisões baseadas em dados, não em suposições.
5. Dinheiro é energia, então trate-o como tal
A filosofia da Kat de que "dinheiro é energia" é mais do que apenas uma metáfora. Fluxo de caixa (cash flow), margens de lucro e rastreamento de despesas são o sistema circulatório do seu negócio. Ignorá-los não os fará desaparecer. Dar-lhes a devida atenção, mesmo através da delegação, mantém a saúde de todo o sistema.
Como Começar a Delegar a Gestão Financeira
Se a história da Kat ressoa com você, aqui estão passos concretos para iniciar a transição:
Avalie a situação atual. Com quantos meses de atraso está sua contabilidade? Quais relatórios financeiros você consegue gerar agora mesmo? Respostas honestas a essas perguntas lhe darão um ponto de partida.
Calcule o custo real. Monitore quantas horas por semana você gasta em tarefas financeiras. Multiplique isso pela sua taxa horária ao trabalhar com clientes. Esse número representa o custo real de você mesmo fazer sua contabilidade.
Escolha o nível de suporte adequado. As opções variam desde softwares de contabilidade com funções de automação até contadores externos ou gestão financeira completa. A escolha certa depende da sua receita, complexidade das operações e estágio de crescimento.
Implemente a separação adequada. Se ainda não o fez, abra uma conta bancária comercial e um cartão de crédito corporativo separados. Misturar finanças pessoais e empresariais é um dos erros mais comuns de donos de pequenos negócios, o que dificulta significativamente a contabilidade.
Comprometa-se a revisar os relatórios financeiros regularmente. Mesmo após delegar, planeje reuniões mensais com seu contador ou revise os demonstrativos financeiros. Você não precisa realizar o trabalho em si, mas deve entender os resultados.
Simplifique sua Gestão Financeira
Seja você um mentor espiritual como a Kat ou qualquer outro empreendedor de serviços, colocar os assuntos financeiros em ordem é um dos investimentos mais importantes que você pode fazer no seu negócio. O Beancount.io oferece contabilidade em texto simples (plain-text accounting), que proporciona total transparência e controle sobre seus dados financeiros, sem "caixas pretas" ou dependência de fornecedor (vendor lock-in). Comece gratuitamente e descubra por que profissionais que valorizam clareza e controle escolhem a contabilidade em texto simples.
